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terça-feira, 24 de dezembro de 2024

Reflexões 2024 - Sobre as despedidas

 Reflexões 2024


Sobre as despedidas.


Essas são reflexões minhas a respeito desse último ano, sobre minhas experiências. Mas tenho absoluta certeza de que servirá pra muita gente. Por isso, eu compartilho.

2024 foi um ano difícil pra maioria de nós. Acho que não conheço ninguém que possa dizer que foi marmelada… Pelo contrário, foi difícil ou foi terrível.

(Eu não diria que foi terrível pra mim, mas depois conto como foi que aprendi a dar salto triplo carpado com mortal na finalização.)

Pro mundo, pro Brasil, foi porrada atrás de porrada… E no nível pessoal, também. 2024 é um ano “8” universal – 2025 será um ano “9”. Assim, será um ano marcado por finalizações, despedidas, términos, mortes, etc… O que significa que 2024 foi a preparação dessas despedidas. Então, vocês devem ter encarado decepções, golpes, separações, revelações surpreendentes sobre verdades escondidas, e tantas coisas que nos obrigam a rever a vida, relações, dedicações, vínculos e outras formas de conexão que perderam o sentido. No ano “9”, as finalizações nos ajudam a fechar ciclos, sair de lugares que não nos cabem mais.

Pois 2024 foi meu ano “9” pessoal. E um monte de coisa que tava “por um fio” terminou de cair.

Então, o assunto é fechamento e despedidas.


Pra nós, que já estamos colecionando cabelos brancos, as despedidas têm um sentido dúbio: Por um lado, a leveza de abandonar coisas que já não fazem sentido, e por outro lado deixar um lugar que é confortável, já que o conhecemos há tanto tempo.

Imagine você sair de uma casa que morou a vida toda. Ou sair de um trabalho a que dedicou toda a sua vida. Ou deixar um casamento de décadas, ou, … ou…. Vocês já entenderam. Como é sair de um lugar em que você e o lugar já são parte um do outro. Quase uma amálgama. Em casos mais doentios, uma simbiose, em que a sobrevivência de um depende da vida do outro. Assim são muitos casamentos, por exemplo.

Mas nada é para sempre. E essa é uma lição que deveríamos aprender desde criança. Por quê, eu me pergunto, nós levamos a ideia de que as coisas são “para sempre”? Ok, não precisa ser tudo “descartável” mas, certamente, não é eterno. Mas foi assim que aprendemos, e assim carregamos a ideia de que relações (familiares, íntimas ou de amizade) precisam se perpetuar Ad infinitum, contando com a sua dedicação, ainda que sob tortura e sacrifício (Nem vou entrar aqui na questão de gênero – que é importantíssima – de “QUEM” é que vai se sacrificar).

O sentimento de obrigação que recai sobre nós, que tentamos fazer relações sobreviverem a todo custo, é sufocante e destrói a gente por dentro. É cáustico.

Relações são feitas de, pelo menos, duas partes envolvidas. Um par de amigos, por exemplo. Além dessas duas pessoas, tem o entorno em que se desenvolve a relação. Tem as circunstâncias sociais, políticas, econômicas, raciais, religiosas, ambientais, e por aí vai. E você achando que é só se esforçar bastante pra fazer a amizade funcionar.

E eis que a amizade estremece. Os desencontros acontecem. O laço se desfaz. Às vezes, a coisa acontece aos poucos… você praticamente vê, no cruzamento do espaço-tempo, um buraco se abrindo que consome a ponte que havia entre vocês. Às vezes, parece um raio que destrói tudo num microssegundo. No dia seguinte você olha pra aquela amizade e sobrou um buraco no peito.

E assim, com casamentos. Com relações familiares, conexões no ambiente de trabalho, com aquele espaço religioso que você frequentou por tanto tempo.

Mas também acontece com outras relações: Você e aquele esporte, aquela agremiação política, aquela ideologia, aquele passeio todo ano no mesmo lugar, aqueles objetos e bens que você passou tanto tempo apegado.

Já sentiu isso? Um medo danado de que esse elemento que está se despedindo deixe um buraco no seu peito? E você não saiba o quê colocar no lugar?

Você tem medo de abandonar? Medo de ser abandonado? Medo que o buraco seja tão grande que você nunca mais se recupere, nunca mais se sinta inteiro?

A gente não aprendeu a se despedir. Sempre ouvimos: “A morte é a única certeza da vida”. Então porquê a gente tem tanto medo de se relacionar com ela? Não a morte minha ou sua – a morte do corpo físico, mas todas as mortes que precisamos lidar diariamente. Todas as perdas. Todas as despedidas. Talvez, se tivéssemos um melhor relacionamento com a Morte, a gente saberia que ela é uma ótima metáfora pra todos os fechamentos de ciclos que permeiam a nossa vida. A Morte é tão cheia de significados! E a nossa cultura dá pra ela uma capa, uma foice, e a escuridão. O Nada.

No Tarot, a carta 13 é a Morte, e até onde me lembro, nunca vi ela aparecer pra te falar do “nada”. Ao contrário, ela vem pra te avisar: Esse ciclo chegou ao fim – abra seus olhos, porque outro ciclo já começou.

E o nosso medo das despedidas é tão grande, que a gente é capaz de ficar agarrado ao caixão da experiência que acabou, sem ver que uma oportunidade novinha está te chamando pra festa.

Então, amigos, é isso. Um ciclo está se fechando, mas não vai dar tempo de fazer um grande velório. Recolha suas certezas agonizantes, suas amizades quebradas, coloque tudo numa cestinha pra dar uma última olhada: tem algo que valha a pena preservar? Tem conserto?

Mas já vou avisando: amizade remendada, certezas coladas com Super Bonder, ou relações levadas adiante amarradas com correntes, só vão fazer o seu passo lento e seu coração, pesado.

Despeça-se do que já foi. Se precisar chorar o luto, chore… mas não arraste pedaços quebrados da sua existência passada. Aprenda a abandonar.



Que o próximo ano seja um ano de despedidas que possam abrir seu caminho pra uma vida mais leve … em direção a você mesmo.

Feliz Natal, Feliz Você Novo!!!